Boa noite, genteeeeee!! \o/
Sabem o que é Cyberpunk? Bom… Eu também estava meio
(inteira) por fora dessa onda de Cyber/ Steam/ Sandal/ Diesel/ Punk. Aqui no Brasil esses gêneros são relativamente novos; se não novos, pelo menos mais abordados agora. A Mari fez na semana passada uma resenha loira e dhyva sobre “
Steam Punk”, hoje é minha vez de convidar vocês a conhecerem um pouco de Cyberpunk. Vamos lá?
Mas primeiro, vamos conversar com nosso amigo
Wikepédia e ver o que ele tem pra nos dizer:
Cyberpunk é um subgênero da ficção científica, conhecido por seu enfoque de “Alta tecnologia e baixo nível de vida” (“High tech, Low life”) e toma seu nome da combinação de cibernética e punk. Mescla ciência avançada, como as tecnologias de informação e a cibernética junto com algum grau de desintegração ou mudança radical na ordem social. De acordo com Lawrence Person: “Os personagens do cyberpunk clássico são seres marginalizados, distanciados, solitários, que vivem à margem da sociedade, geralmente em futuros despóticos onde a vida diária é impactada pela rápida mudança tecnológica, uma atmosfera de informação computadorizada ambígua e a modificação invasiva do corpo humano.”
Obrigada Wikipédia, seu lindo! Agora bora pra minha resenha:
Cyber Brasiliana
Richard Diegues
Sinopse: Nele o leitor se depara com uma Realidade Alternativa, que se desenvolve em um universo Pós-cyber, no qual os países do eixo-norte do globo se encontram em decadência, confrontados pelas três grandes potências surgidas no eixo-sul: a União da República Brasiliana, a Africanísia e a Euronova. A qualidade de vida abaixo da linha do equador assume ares de utopia, enquanto no outro hemisfério as corporações lutam pelo controle dos espólios dos antigos países. Nesse cenário, em que uma parte da economia mundial está visivelmente instável, o equilíbrio é mantido por meio da força, de uma consistente e bem defendida base econômica, e da tecnologia que avançou a passos largos até se tornar fundamental à vida. Foi nesse contexto que o Hipermundo se desenvolveu. Um sistema baseado em uma super-rede de servidores, no qual as pessoas desfrutam de uma forma complexa de realidade aumentada, utilizando-a para trabalho, socialização, cultura e registro digital de todas as informações mundiais. Parte do enredo dá suporte para uma ação vertiginosa que se desenrola enfatizando os dramas dos personagens, enquanto a outra se aprofunda nas questões desencadeadas pelo cenário social, levantando questões como: a tecnologia poderia afastar realmente o homem do rumo espiritual para o tecnológico? Até que ponto desejamos nos afastar do convívio pessoal e transpor esse contato para a virtualidade? Do que seríamos capazes de abrir mão em troca da imortalidade? O modo de vida que desfrutamos hoje é algo definitivo ou apenas um conceito a que nos atemos?
Comentários:
Tá, vou confessar… Peguei o livro do Richard sem muitas expectativas… O tema sempre me deu um certo arrepio, e por puro pré-conceito mesmo! Pura falta de conhecimento do que se tratava! Depois de ler o significado de “Cyberpunk” percebi que já li alguns livros (e assiste muitos filmes) no gênero. E sabem de uma coisa? Eu gosto! \o/ Adorável percepção.
O livro é narrado na terceira pessoa, acompanhando o ponto de vista de três personagens principais:
Kamal – Soldado da República Brasiliana, que após um “infeliz” acontecimento (logo no primeiro capítulo do livro) se vê envolvido com o Cartel.
Sa-Id – Um muçulmano de 42 anos, fera na arte da programação. Sequestrado pelo Cartel, se vê obrigado a fazer uma entrega no Hipermundo.
5.i-cent – O personagem mais misterioso do livro. Ligado a Serguey Kajaram de uma forma obscura e misteriosa. Só conhecemos bem suas intenções no finalzinho do livro.
Sob o ponto de vista de cada um dos personagens principais, os coadjuvantes da história ganham vida e densidade. Richard criou um enredo bem complexo e cheio de detalhes. Num mundo dominado pela tecnologia, com muitas pessoas preferindo viver no Hipermundo – uma forma de interface de realidade virtual – toda a estrutura da sociedade foi redefinida. Em uma guerra sem precedentes, República Brasiliana (o Brasil após a conquista de vários territórios), Africanísia e Euronova dominaram o mundo, e têm o controle tanto do Hipermundo quanto do mundo real, e, como em todo enredo que se prese tem que haver algum antagonista, esse vem na forma do Cartel, uma Associação de 16 líderes mundiais, encabeçada por Serguey Kajaram da Sicilli Corporation, proveniente de Silicon Valley; aqui percebemos relação com nossa realidade atual, e fica clara a especialidade de Serguey: tecnologia da informática; e seu objetivo: tomar as rédeas do Hipermundo e do mundo real.
As mulheres da trama são Cin-d e Zin Lin Wong, cada uma está presente em um mundo, acompanhando um personagem principal. Zin Lin é uma programadora, que está no final da gravidez e está sendo usada pelo Cartel para chegar a seus objetivos, Cin-d cai na aventura meio que por acaso, seu crescimento durante o enredo é surpreendente.
A trama poderia ser confusa, se não fossem todas as explicações que Richard coloca entremeada ao enredo. Essa técnica é bem perigosa, alguns autores acabam se atrapalhando nas explicações, se focando muito na parte técnica do texto e deixam a leitura enfadonha. Não é o caso de Cyber Brasiliana: todas as explicações estão bem colocadas e são de suma importância para o bom entendimento do livro.
A carga emocional da história recaí sobre Zin Lin e sua luta no Hipermundo para acelerar a realização de seus objetivos e com isso salvar a vida de sua filha, que está prestes a nascer.
Todas as três histórias ocorrendo em separado, levam a um final bem amarrado e cheios de surpresa. Conforme as páginas vão avançando, o clima de tensão também cresce, e fica impossível largar a leitura.
O que me surpreendeu bastante, é que, apesar de o Brasil ser “A Potência” do momento, Richard não explorou esse ambiente, deixando toda a parte de ação focada na América do Norte. Isso me deixou um pouco decepcionada, mas não ao ponto do livro perder sua essência e riqueza de enredo.
(…) Ela respirou fundo e soltou aquilo que estava evitando, mas que sabia que seria melhor libertar do peito naquele momento. – Sa-Id é o seu terceiro pai, que lhe jogou nessa situação, sem ter a intenção de fazer isso. Você deve perdoá-lo por isso. Eu sou sua segunda mãe e serei também sua algoz. Mas não se preocupe, não preciso do seu perdão.”
Página 43
Tem muito de Matrix no enredo, mas em vez de lutar contra a realidade virtual, as pessoas buscam viver ali. Um novo enfoque ao tema que achei bem interessante.

Playlist:
Guns N’ Roses – You could be mine
Marylin Manson – Rock is Dead
Bjork – All is full of love
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11/06/11 – Atualização
Resultado do Sorteio:
Sobre o autor
Alba Milena, casada, 34 anos, é mãe do menino mais lindo do mundo: o Lucas. Supereclética nas suas escolhas de leitura, nutre um ódio profundo e inexplicado por Danielle Steel. Também pode ser encontrada no
@AlbaMilena.
Adoro ficção científica, mas cyberpunk não está entre os livros que costumo ler. Mas a história é criativa, bem diferente. E ficar citado termos específicos e os ficar explicando, deixam o livro enfadonho, mesmo.
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