Saudações, galera. Nem só de quadrinhos vive um leitor, não é? Por isso, para dar uma mãozinha para as meninas do Psy (e para meu prazer, claro) li e quero compartilhar com vocês uma obra emocionante e intrigante:
Chaplin – Uma vida
Stephen Weissman
Editora: Larousse
Páginas: 304
ISBN: 857635683x
Lançamento: 2010
Sinopse:
Teria Claplin transformado tragédias pessoais em comédia universal, criando o Adorável Vagabundo como uma paródia e uma memoração ao pai alcoólatra? Seriam as heróinas de seus filmes memórias sublimadas, parte recordadas, parte reprimidas, da mãe adorada e de vida trágica? Uma mistura de história social corajosa, romance e ciência médica, o livro começa com Weissman dissecando o tempestuoso cortejo e o desastroso casamento dos pais de Chaplin. Depois nos leva ao mundo do teatro de variedades vitoriano. Dá vida às ruas do sul de Londres, ao traumático orfanato Hanwell e, finalmente, por um novo ângulo, à Hollywood dos anos 1910 e 1920. Chaplin não foi apenas grande: ele foi gigantesco. Em um mundo arruinado pela guerra, ele trouxe o som do riso e alívio para tantas pessoas que necessitavam de alento durante períodos tão dilacerantes como a Primeira Guerra Mundial e a Grande Depressão. Ao apresentar uma investigação sobre a trajetória de Chaplin e as fontes de sua genialidade, Stephen Weissman explica, de maneira detalhada e fascinante, como a infância trágica formou a personalidade e a arte daquele que é considerado um gênio atemporal
Comentários:
Charles Spencer Chaplin vinculou seu nome à história do cinema de forma tão profunda e revolucionária que tornou-se impossível falar de um sem mencionar o outro. Foi muito mais do que o maior astro do cinema mudo ou o comediante mais talentoso. Chaplin era um dos mais provocadores, questionadores e controversos artistas do cinema. Mesmo hoje, quase cem anos depois do auge de seu sucesso, é uma celebridade reconhecida pelo público e uma referência para atores, diretores e produtores – funções que ele cumpriu corajosa e eficientemente.
Chaplin teve uma infância difícil, a exemplo dos personagens de Charles Dickens, seu autor favorito. Fruto de um amor desastrado entre dois atores do teatro de revista inglês, conheceu fome, pobreza e chegou até a amargar uma temporada em um orfanato, quando tinha sete anos. Sua história já foi contada em outras biografias, uma delas escrita por ele. Mas nenhuma o havia dissecado como esta obra de Stephen Weissman.
Professor e psiquiatra, Weissman estudou Chaplin durante anos. A primeira vez que chamou a atenção da família de Chaplin para seu trabalho foi quando publicou um artigo em que comentava a origem da doença mental da mãe de Charles. Até então, os biografos do ator, provavelmente para poupar filhos e netos, negligenciaram que a insanidade de Hannah Hill Chaplin era consequência da sífilis. Não era um grande segredo. O diagnóstico está devidamente documentado. Geraldine, filha de Chaplin, quando soube do artigo confrontou o autor, pronta para despejar processos e impropérios. Desarmou-se quando aceitou a importância de se conhecer a verdade para compreender a magnitude da genialidade de seu pai. Acabou escrevendo o prefácio deste livro.
Chaplin – Uma vida não é uma biografia completa. Concentra-se nos primeiros vinte anos de vida de Charles Chaplin e tenta encontrar, em seus relacionamentos pessoais e profissionais e no fracasso profissional e amoroso dos pais, a origem da genialidade que marcou sua arte. Até suas inclinações políticas são alvo das especulações de Weissman que as apresenta como consequência natural das mazelas familiares de Chaplin.
Indico este livro a quem já tenha um conhecimento prévio da vida e obra de Charles Chaplin, para fãs de cinema e/ou teatro e para quem curte biografias e estudos psicológicos.
Àqueles que nunca assistiram a um filme de Chaplin, aconselho a remediar a situação. Chaplin foi um gênio na arte de fazer rir e chorar. Ele foi profético ao perceber e denunciar o perigo que Hittler representava para o mundo em O Grande Ditador e a alienação do trabalho e do avanço tecnológico desumanizador em Tempos Modernos.
Analisando o livro, só considero desnecessário o capítulo em que o autor defende a legitimidade de uma das biografias de Chaplin escritas quando ele ainda estava no começo da carreira. Foi um preciosismo de pesquisador que pode incomodar muitos leitores, mas é um detalhe pífio na totalidade da obra. Vale a pena conferir e, principalmente, dar uma chance a algumas obras primas do cinema:

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Sobre o autor
Walter Tierno é ilustrador, escritor, blogueiro, pagador de mico, engolidor de sapo e um cara desagradável que responde sinceramente quando alguém pergunta sua opinião. Seu livro de estreia é Cira e o Velho, uma história de vingança que utiliza fatos e personagens históricos e mitologia brasileira.