Resenha: Orgulho e Preconceito

Boa noite, seus lindos!! \o/

É bem difícil falar de um clássico sem cair na mesmice e seguir repetindo os mesmo elogios. Esse é meu primeiro contato com Jane Austen, acredito que ele aconteceu no momento certo, fico feliz por ter a maturidade suficiente para ler e entender toda a beleza da escrita da autora. Bora lá saber o que eu achei?

Orgulho e Preconceito

Jane Austen

Orgulho e preconceito_bx

Editora: Cia das Letras
Publicação: 2011
ISBN: 9788563560155
Tradutor: Alexandre Barbosa de Souza
Páginas: 576
Preço de catálogo: R$32
Compre: Saraiva | Cultura
Skoob

Sinopse: Na Inglaterra do final do século XVIII, as possibilidades de ascensão social eram limitadas para uma mulher sem dote. Elizabeth Bennet, de vinte anos, uma das cinco filhas de um espirituoso, mas imprudente senhor, no entanto, é um novo tipo de heroína, que não precisará de estereótipos femininos para conquistar o nobre Fitzwilliam Darcy e defender suas posições com perfeita lucidez de uma filósofa liberal da província. Lizzy é uma espécie de Cinderela esclarecida, iluminista, protofeminista. Neste livro, Jane Austen faz também uma crítica à futilidade das mulheres na voz dessa admirável heroína — recompensada, ao final, com uma felicidade que não lhe parecia possível na classe em que nasceu.

Comentários:

Não se aventurem pelas linhas de Jane Austen pensando encontrar uma história rasa e de fácil entendimento. Tenho uma certa birra com os ditos “clássicos” e sempre procuro me afastar deles. Pré-conceito? Pode ser, não vou negar. Acho que crescer ouvindo que algumas leituras eram necessárias, imprescindíveis para meu crescimento literário, acendeu no meu íntimo essa minha birra/ revolta contra o que é obrigatório. E assim passei meus anos de leitura afastada de Austen, sempre torcendo o nariz quando alguém falava bem dela… Até que a oportunidade surgiu e o desencadeamento não poderia ter sido mais agradável.

Orgulho e Preconceito trata da história das duas filhas mais velhas dos Bennet – Jane e Elizabeth. A família é composta pelo Sr. e Sra. Bennet (sim, eles se tratam assim) e suas cinco filhas. Já de início a crueza com que o Sr. Bennet descreve suas filhas, apontando os defeitos de algumas e ressaltando a qualidade de outras é chocante. Todo o enredo é pontuado por essa franca clareza de pensamentos e falta de sensibilidade ao expô-las.

A forma que Jane Austen apresenta o texto pode confundir no início da leitura. Por vezes ela corta a cena em algum fato, apenas explicando rapidamente o que aconteceu posteriormente. Toda a narrativa é em terceira pessoa e ela caminha numa mesma cena por vários pontos de vista de forma primorosa. Ressalto aqui o primeiro encontro de Lizzy e Darcy, onde suas posições são firmadas a partir da primeira impressão que um tem do outro. Austen troca de ponto de vista durante toda a cena, deixando claro o que cada um pensa do outro e nos deixando com base sólida para entender todo o desenrolar que a autora apresenta no decorrer da história.

Jane é dessas autoras que vai acrescentando ingredientes à história de forma gradativa. Seus personagens vão se enrolando, sua trama vai se complicando, até o ponto em que ficamos aflitos e sem saber bem o que esperar nas próximas páginas. Os diálogos têm que ser bem observados, porque no meio de uma discussão ela não costuma apontar quem fala o quê. Cabe a nós, leitores, identificar o interlocutor. E sabem de uma coisa? Os personagens são tão bem-construídos que suas opiniões são claramente identificáveis.

Vale ressaltar que nessa edição do livro houve uma nova tradução – feita por Alexandre Barbosa de Souza – Prefácio de Vivien Jones e Introdução de Tony Tanner, que destrincha e faz apontamentos ao texto de Jane. São 100 páginas de avaliação que valem à pena serem lidas.

“O senhor Darcy deixou o salão; e Elizabeth ficou com sentimentos não muito cordiais em relação a ele. No entanto, contou a história às amigas com presença de espírito; pois tinha um gênio divertido e entusiasmado, que se deliciava com qualquer coisa de ridículo”.

Página 113

5estrelas

Playlist:

Adele – Someone Like You

Adele – Make You Feel My Love

Adele – Tired

assinaturaalba

25 anos_aviao

Sobre o autor

Alba Milena, casada, 34 anos, é mãe do menino mais lindo do mundo: o Lucas. Supereclética nas suas escolhas de leitura, nutre um ódio profundo e inexplicado por Danielle Steel. Também pode ser encontrada no @AlbaMilena.

2 Comentários em “Resenha: Orgulho e Preconceito”

  1. Ulysses disse:

    A forma como muitos romancistas conduzem suas histórias, assim como o estilo das novelas, tem origem nos livros de Jane Austen. Ela foi pioneira, tanto pelo fato de ser uma mulher que escreveu clássicos, quanto na forma de escrever.

    [Responder]

  2. Bruno Ferreira Lindenberg. disse:

    Sempre quis ler esse livro dela. Ainda mais em uma sociedade brasileira que diz que deve-se ler os clássicos desde cedo, para ter entendimento desde sempre do mundo literário. Isso tudo sempre me deixou com um pé atrás, porque o que eu vejo no meu colégio, por exemplo, é um bando de adolescentes ficando com trauma dos livros porque são forçados a lê-los e SEMPRE são livros extremamente maçantes e de difícil entendimento. E por isso colocam livros menores, e consequentemente mais chatos, pois é difícil achar um livro realmente BOM com poucasssss páginas. O que eles não sabem é que podem colocar um livro de 300 páginas para nos obrigar a ler, mas se o livro for bom e tiver vindo de um filme por exemplo, TODOS vão ler, mas isso porque a história é BOA e o livro corresponde a nossa idade e a nossos interesses.

    [Responder]

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