Como não leio muita poesia (praticamente nada), não conhecia a história de Elizabeth, nem sabia sobre seu relacionamento com a paisagista Lota Macedo Soares, e isso não atrapalhou minha leitura, todo o enredo foi uma grande descoberta.
Elizabeth está viajando e uma de suas paradas é no Brasil, sozinha ela desembarca após uma longa viagem de navio e segue para o Rio de Janeiro para rever algumas amigas e passar alguns dias. Ao se hospedar alguns dias na casa de sua amiga Mary e Lota em Samambaia – região serrana do Rio. Com o clima quente e descontraído do Rio, uma paixão avassaladora toma conta de Lota e Elizabeth, fazendo com que essa mude seus planos de seguir viagem e fica por muitos anos morando no Brasil.
O enredo é bem equilibrado entre cenas políticas, alcoolismo, biografia e romance. O fato de existir um relacionamento amoroso entre duas mulheres não choca o leitor, Sledge soube muito bem como construir o romance, que ora é suave, ora devastador, mas o companheirismo e discrição estão sempre presentes.
A narrativa é suave e crescente, as descrições físicas dos personagens é pobre, a passagem do tempo é confusa, mas não chega a atrapalhar a narrativa. É um daqueles livros perfeitos para ler em uma tarde preguiçosa e chuvosa. Não sei como os amantes de Elizabeth Bishop encararão essa obra, afinal, nem tudo o que foi escrito nesse livro é o que realmente aconteceu.
Um filme está sendo produzido sobre essa obra e conta com o diretor Bruno Barreto, a roteirista Carolina Kotscho, Glória Pires como Lota e Elizabeth Bishop será interpretada por uma atriz americana.
Elizabeth não imaginava viagem mais prazerosa do que pelo mar. Podia contemplar o oceano durante horas sem se cansar. Nada de olhar para frente ou para trás; nenhum pensamento sobre o que foi deixado, sobre o que se espera encontrar ao chegar. Apenas aquela suspensão perfeita.Página 12


















Biografia é um dos gêneros que mais gosto, porque embora não sejam personagens, são tratados como tal, e em geral são mais interessantes e complexos que muita ficção. E Bishop, além de grande poeta, foi uma grande mulher, e sua vida certamente tem muito a ensinar.
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