Hoje vou comentar sobre uma das minhas melhores leituras do ano de 2011: A Vida em Tons de Cinza. Desde seu lançamento em inglês fiquei interssada pela sinopse, pouca coisa sei sobre a Lituânia e os horrores que seu povo sofreu nas mãos de Stalin, até bem pouco tempo, muitos tinham medo de falar sobre o assunto, mas aos poucos, os sobreviventes começam a contar sua história. Esse livro é uma obra de ficção, mas todos os acontecimentos foram baseados em fatos reais, contados diretamente para a autora.
Lina Vilkas é uma lituana de 15 anos cheia de sonhos. Dotada de um incrível talento artístico, ela se prepara para estudar artes na capital. No entanto, a noite de 14 de junho de 1941 muda para sempre seus planos. Por toda a região do Báltico, a polícia secreta soviética está invadindo casas e deportando pessoas. Junto com a mãe e o irmão de 10 anos, Lina é jogada num trem, em condições desumanas, e levada para um gulag, na Sibéria. Lá, os deportados sofrem maus-tratos e trabalham arduamente para garantir uma ração ínfima de pão. Nada mais lhes resta, exceto o apoio mútuo e a esperança. E é isso que faz com que Lina insista em sua arte, usando seus desenhos para enviar mensagens codificadas ao pai, preso pelos soviéticos.
Comentários:
A vida em tons de cinza é um romance, mas foi baseado em histórias dos sobreviventes que a contaram para a autora Ruta Sepetys e assim construíu um belo livro, com uma narrativa cativante e um enredo arrebatador.
Lina tem 15 anos de idade na noite do dia 14 de junho de 1941, ela sua mãe e irmão são retirados de casa as pressas, sem ao menos ter tempo de fazer uma mala apropriada ou mesmo trocar sua camisola, eles foram jogados em um caminhão junto com outros habitantes da cidade que estavam na lista por serem advogados, escritores, médicos, empresários, professores, bibliotecários, padres e qualquer outro que Stalin decidisse ser anti-soviético. Sem saber porque estavam ali, ou para onde seriam levados, todos foram separados e colocados em grandes vagões de trem até então usado no transporte de animais. Com condições de higiene e sobrevivência precários, eles tiveram que se unir se quisessem sair vivos daquele lugar. Mas ao chegarem à uma ‘fazenda’, descobriram que os horrores tinham apenas começado.
Uma das partes mais emocionantes aconteceu quando eles estavam na Sibéria e sua resistência física e psicológica foram colocados à prova em condições inimagináveis. A chegada de uma pessoa (que não posso falar quem) encheu meus olhos de lágrimas, quando fiquei sabendo que isso realmente aconteceu, o sentimento foi ainda muito mais forte.
A narrativa é feita em primeira pessoa sob o ponto de vista de Lina, a escrita é simples e fluida, acredito que a leveza da narrativa, ainda que se trate de um assunto tão pesado, se dá ao fato da Lina ter apenas 15 anos. Você consegue imaginar todos os detalhes, desde os personagens à paisagem inóspita, inclusive sentir o frio, a fome e a dor pelo que os personagens estão passando. Confesso que durante toda leitura, me perguntava como eu poderia saber tão pouco sobre o quanto o povo dos países Bálticos sofreram até bem pouco tempo, ainda hoje, muitos tem medo de falar sobre o assunto e sofrerem represálias. Stalin assassinou mais de 20 milhões de pessoas em seu reinado de terror que durou mais de 50 anos
A vida em tons de cinza, é triste e visceral, conta um pouco sobre um povo que perdeu tudo, mesmo a esperança, a capacidade de amar e acreditar na verdadeira amizade. Livro muito mais que indicado, já está na minha lista de favoritos!
- Tadas disse a uma das meninas que o inferno é o pior lugar do mundo e que não há como escapar de lá por toda a eternidade. - Por que Tadas falou em inferno? – perguntou papai, estendendo a mão para pegar os legumes. - Porque o pai dele disse que, se Stalin entrar na Lituânia, é lá que todos nós vamos parar.
Página 129
Esse vídeo fala um pouco mais sobre o livro, vale a pena conferir:
Playlist: Titãs – Bichos Escrotos Metallica – Nothing Else Matters Pearl Jam – Soldier of Love
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19/10/11 – Atualização
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Sobre o autor
Mariana Dal Chico, fisioterapeuta, esposa, leitora voraz e blogueira. Não sabe viver sem livros e música. Seu estilo literário é variado, no entanto, prefere livros de fantasia que a façam viajar para outros mundos e odeia spoilers. Também pode ser encontrada no @MariDalChico.