Boa noite, gentes!
Hoje temos uma tarefa nada fácil pela frente. Dissecar a obra de George Orwell é, sem sombra de dúvidas, uma tarefa árdua. Vamos tentar, juntos, explicar de forma clara quais as intenções do autor por trás da obra – além do entretenimento, claro – e para isso, essa resenha vai ser um pouco diferente. Primeiro uma introdução sobre os fatos que levaram o autor a escrever a sua obra, e depois nossa avaliação da leitura. Bora lá?
Alba – vermelho
Walter – verde
Quer ver o que já falamos do livro? Leia a resenha que a Adriele (irmã da Alba) fez: AQUI.

1984
George Orwell
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Editora: Cia. das Letras
Páginas: 414
ISBN: 9788535914849
Publicação: 2010
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Sinopse:
“1984″ não é apenas mais um livro sobre política, mas uma metáfora do mundo que estamos inexoravelmente construindo. Invasão de privacidade, avanços tecnológicos que propiciam o controle total dos indivíduos, destruição ou manipulação da memória histórica dos povos e guerras para assegurar a paz já fazem parte da realidade. Se essa realidade caminhar para o cenário antevisto em 1984 , o indivíduo não terá qualquer defesa. Aí reside a importância de se ler Orwell, porque seus escritos são capazes de alertar as gerações presentes e futuras do perigo que correm e de mobilizá-las pela humanização do mundo.
Comentários
Provavelmente você já ouviu falar que aquele reality show (BBB) foi inspirado neste livro. Não leve isso a sério. As palhaçadas, a boa vida, as festinhas e a produção de celebridades descartáveis nada têm a ver com a obra mais famosa de George Orwell. Em 1984, a liberdade inexiste, a privacidade é crime e a História é um instrumento de controle extremamente moldável e fluído. Mas se você insiste em saber qual a relação entre o bendito programa e este livro, eu explico: Em 1984, todos os cidadãos são vigiados, vinte e quatro horas por dia, em todos os cantos. O governo é representado na figura de um líder. Seu retrato está espalhado por todos os lugares. É o Grande Irmão (Big Brother, sacou?). Mas o Grande Irmão está anos-luz de distância de Pedro Bial. Pela descrição feita por Orwell, é difícil não imaginar a figura de Stalin e, muito provavelmente, essa foi sua intenção.
Acho que essa explicação que o Walter deixou é de suma importância para começar a arranhar os porquês da escrita de Orwell. Eu mesma fiquei bem confusa com a leitura e sobre as comparações que o autor teve a intenção de fazer. Sua intenção clara é nos mostrar aonde possivelmente nos levaria um mundo dominado pelo Socialismo. Quais as repercussões que isso teria em nossas vidas.
1984 é, em sua essência, uma metáfora sobre o autoritarismo do estado. Orwell era comunista e até lutou como voluntário na guerra civil espanhola. Como recordação, um ferimento no pescoço que afetou suas cordas vocais. Conta-se que, por isso, sua voz tinha um tom afeminado. Não é difícil ver teóricos de esquerda apontarem Orwell como um traidor do movimento comunista. Exageros típicos de quem não aguenta ser questionado. Em A Revolução dos Bichos, por exemplo, Orwell denunciou os desvios da ideologia comunista e a ascensão de Stalin durante a revolução russa de 1917. Orwell não era um crítico do comunismo. Ele se opunha ao autoritarismo e à figura do ditador russo e o regime de terror e genocídio que ele impôs ao povo russo.
Para entender, de forma muito básica, o que é socialismo e o que é comunismo: Dentro da filosofia comunista existem duas vertentes. Ambas levam a um mundo igualitário, onde só se produzrá o necessário e não existisse diferenças de classes sociais. Uns defendiam que, para se chegar a essa idealização, era necessário instalar um governo transitório, que organizaria as relações de produção e aplicaria recursos, além de trabalhar para disseminar a filosofia comunista no resto do mundo. É o Socialismo. Outro grupo, os anarquistas, defendiam que o comunismo tinha que ser instalado à seco, extinguindo-se imediatamente toda forma de poder. George Orwell pertencia ao segundo grupo. Há quem resuma que 1984 mostra um mundo dominado pelo socialismo, mas não é tão simples assim. A principal denúncia do livro é contra o autoritarismo, o controle histórico e ideológico.
Agora vamos à história. Nesse mundo novo, existem três estados que coexistem de forma independente e autossuficiente, são a Oceânia, a Eurásia e a Lestásia. Winston, o protagonista do livro, vive na Oceânia, ele é um membro do partido, trabalha no Ministério da Verdade e sua função é reescrever fatos históricos de acordo com a vontade do Grande Irmão. Nunca pode haver nada que desabone a palavra do GI, nem mesmo que o próprio tenha dito algo diferente no passado, todas as suas afirmações atuais têm que ser corroboradas pelas do passado, e é aí que entram as constantes alterações feitas pelo protagonista e a seção do Ministério na qual ele trabalha. Se o GI afirmou há dois meses que estava em guerra com a Eurásia, mas posteriormente mudou sua opinião e agora se encontra em guerra com a Lestásia, a obrigação de Winston é alterar todos os fatos históricos para que pareça que seu estado sempre esteve em guerra com a Lestásia. É gentes, informação é poder.
A reescrita da História é uma das características mais assustadoras do livro. Era por meio dessa prática que um sujeito era um herói em um dia, traidor no outro e, no seguinte, ele simplesmente deixava de existir. Mas quer se assustar de verdade? Leia Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil e veja alguns exemplos de como algumas ditaduras conseguiram bagunçar o que aprendemos sobre a história do Brasil na escola.
O lema do partido é bem simples. Mantenha todos em constante vigilância e controle. Mantenha todos sempre com ódio e desprovidos de qualquer relação sentimental. Até mesmo a formação das famílias é controlada pelo Partido, se há sinal de amor entre duas pessoas elas não podem se casar.
Também existe a novilíngua e o duplopensar. A novilíngua é uma forma de diminuir a capacidade de conceitualização e, consequentemente, questionamento das pessoas. O duplopensar é uma doutrina que tem por objetivo incapacitar a população a perceber contradições.
Eu sempre corri desse livro, nunca me interessei verdadeiramente por ele e sempre questionei essa necessidade que as pessoas têm de afirmar categoricamente “se você gosta de distopia, precisa ler esse livro”. Li. Consegui perceber de onde todos os outros livros distópicos que andam tão em moda hoje em dia vieram. É possível perceber a influência em todas as obras, até mesmo alguns desencadeamentos, como o fato do início do questionamento pelo protagonista e a descoberta da verdade por trás de tantos véus. (Uma observação, galera. Se você leu ou assistiu a “V de Vingança”, saiba que ele não existiria se não fosse por este livro)
Muita gente corre desse livro. Deveriam fazer o contrário. Correr para ele.
1984 – vou dizer, e desculpem-me se caio em lugar comum – é desses livros de leitura obrigatória. A narrativa de Orwell é pesada, pungente. Não poupa o leitor das mazelas passadas pelo protagonista e pelo povo. Por vezes me vi cansada, exaurida mesmo, após ler apenas 15 ou 20 páginas, não por ficar com a vista cansada nem nada do tipo, e sim por pensar. Até que ponto, na nossa sociedade capitalista, somos também manipulados, levados a crer em fatos distorcidos, com a grande maioria relegada a segundo plano, com alta taxa de analfabetismo e sem acesso nenhum à informação? Com a grande maioria levada a se contentar com migalhas, bolsas que permitem a sobrevivência, mas não provêm a dignidade.
Eu aconselharia o leitor, além deste livro, experimentar também Admirável Mundo Novo. Não é à toa que se diz por aí que um é complemento do outro. Hoje, vivemos absurdos que tanto um quanto o outro já haviam denunciado há um tempinho…
O pensamento-crime não acarreta a morte: o pensamento-crime É a morte.
Página 40
Enquanto eles não se conscientizarem, não serão rebeldes autênticos e, enquanto não se rebelarem, não têm como se conscientizar.
Página 90

Alba

Walter
Playlist
- Pink Floyd – The Wall (não me perguntem por que… Não tirei essa música da cabeça enquanto lia)














Uma das passagens mais marcantes do livro são os dois minutos de ódio, em que as pessoas podiam colocar para fora toda sua raiva contra uma tela com imagens, mas mesmo assim observaam se elas não se excediam nos insultos.
Todo o livro é impressionante, porque ainda que fosse um mundo distópico, muito daquilo tinha uma inspiração real. E havia o medo de que o real e imaginário se aproximassem ainda mais.
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[...] Para saber mais do livro veja Resenha dupla da Alba e do Walter AQUI! [...]
Muito boa a resenha. Eu sou apaixonada por Orwell e por 1984. Mas sabe que o livro não é uma crítica apenas ao autoritarismo na Rússia, é contra todos os autoritarismo. A crítica direta, claro, é ao estado totalitário russo, mas é possível perceber que a crítica se estende. E a Guerra Civil Espanhola foi a grande responsável pela desilusão de Orwell com PC Russo. Ele lutou ao lado das brigadas do POUM (Partido de Unificação Nacional Marxista) que dentro do caleidoscópio da esquerda da época, batia de frente com o Partido Comunista, esse passou a perseguir os integrantes do POUM, acusar de traidores, prender e até fuzilar seus membros (o mesmo foi feito com os anarquistas) para garantir a hegemonia do PC dentro da República Espanhola e garantir que nenhuma revolução seria feita naquele país. Orwell presenciou tudo isso e escreveu o Lutando na Espanha, livro de memórias incrível. Depois disso veio 1984 e Revolução dos Bichos, dois clássicos maravilhosos e imprescindíveis para qualquer um.
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Nossa, parabéns pela resenha dupla, pessoal! Ficou ótima!
Não tenho tanto medo de ler 1984 (sei que minha cabeça ficará a ponto de explodir, mas é um “mal” necessário). Meu medo maior é resenhar esse livro. Li uma parte de A Revolução dos Bichos e já sei mais ou menos o que esperar de 1984. É o tipo de livro mais difícil de se resenhar.
Elogio-os novamente porque vocês fizeram um bom trabalho. Resenhar não é só dizer que um livro tem a capa bonitinha e que o personagem principal é lindo-gostoso-tudo-de-bom. Resenhar é LER o livro, refletir sobre ele, expor sua opinião sobre o conteúdo antes de pensar nos personagens. E vocês fizeram isso com maestria. Meus sinceros aplausos. Queria ver mais resenhas distópicas vindas da dupla.
Abraços,
Fátima Menezes – @fatimamd
http://recantodecaliope.blogspot.com
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Eu estou muito ansiosa pra ler este livro. Achei a resenha bem interessante apesar de ter pulado algumas partes, pq quero que o livro me surpreenda…
Com a Alba dando 5 estrelas com certeza o livro deve ser bom!!! hehehehe
bjuss
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Own que resenha delícia*-*
Eu amo este livro , ele é incrível….
Sempre achei que V de vingança teve inspiração em 1984 , lendo o quadrinho e o livro da para perceber semelhanças….
Quando li 1984, nem sabia que existia a palavra distopia , e quando este gênero começou a ”bombar” é que descobri que esta é uma das obras precursoras…
Beijos para os dois
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