Era uma vez uma menina que queria ser, que invejava aqueles que já eram. Essa menina sofreu, odiou e transformou o seu desejo em amargura. Todo esse rancor a possuiu de uma forma tão profunda que lhe fez sentir no direito de fazer o mal como redenção a sua própria desgraça. Ela quis vingança e, como todos que carregam essa vontade, perdeu-se em um caminho sem voltas e as consequências não foram gratificantes. Elas nunca são.
Moly se perdeu em suas próprias frustações e a ela jamais conseguiu se recuperar da culpa pelo acidente com Felipe. Ela jamais considerou um instante sequer que seu plano perfeito pudesse sair da rota e ferir outras pessoas. Os cinco anos de coma de Felipe foi o seu martírio. Ela pouco saiu de casa, nem mesmo conseguiu ir para a escola mais. Ela apenas escreve suas memórias e frustações em seu blog na esperança de poder ajudar outros e ajudou.
Era uma vez uma menina que apenas vivia um dia após o outro sem pensei no amanhã. Somos sempre educados e pensar em um futuro, que nem sempre chega. Principalmente quando somos jovens esse futuro parece algo completamente desprendido do presente. É como se fosse uma realidade totalmente diferente da que estamos. Será que é mesmo assim? Será que devemos sim nos preocupar ou simplesmente viver?
Marina simplesmente viveu mesmo que de forma fria e até desumana muitas vezes. Ela optou por não pensar demais nesse tal futuro. Contudo, a despreocupação tem o seu preço. O acidente de Felipe mudou a sua vida também e lhe fez sentir uma responsabilidade que nunca teve. Cuidar de um bebê era algo que Marina jamais tinha imaginado, mesmo nos seus mais sombrios pesadelos. Contudo, ela sentiu como se aquilo fosse sua própria redenção pelos filhos que optara em não ter. Ela agora pensa no futuro.
Era uma vez uma menina que aceitou o mundo como era com todas as falhas e injustiças. Ela engoliu cada brutalidade que lhe foi mostrada para simplesmente conviver bem com ele. Ela simplesmente se deixou levar como tantas vezes fazemos. Inocentemente achamos que fazer nada é não agir, porém a vida é ardilosa.
Após o acidente de Felipe, Amanda decidiu ter o filho. Ela sentiu-se em obrigação com ele. Contudo, foi mais complicado do que ela pensou. Amanda teve muitos problemas na gravidez e recebeu apoio de talvez a mais improvável das pessoas: Marina. Com toda a incoerência e imprevisibilidade da vida, Marina faleceu logo após o nascimento da criança.
Aquela criança, um doce fruto do improvável, veio do encontro de duas pessoas que se uniam não pelo amor ou paixão, mas com seus próprios sofrimentos e frustações. No meio desse vale de incertezas, o nascimento mudou a vida de todos e acabou com qualquer dúvida ou conflito que assombrava aquelas pessoas. Nem sempre os caminhos e objetivos parecem óbvios ou justos. Eles simplesmente são.
Marina ganhou um objetivo, Molly perdeu o seu e Felipe tem uma nova chance. A vida é ardilosa, mas sempre encontra um caminho que nem sempre aceitamos ou compreendemos. Pois, afinal de conta, não passamos de simplesmente coração e carne.
FIM
Nota do Autor: Espero que tenham gostado dessa série que foi feita de uma forma diferente. A ideia principal dessa “novel” é brincar com a criatividade e o exercício da escrita. Eu fui criando, na maioria das vezes, pouco antes de publicar. Quis treinar e testar os limites da minha criatividade. Obrigado a todos que acompanharam e desculpe qualquer erro ou incoerência ao longo da história, mas o resultado final me agradou muito.
Opiniões são sempre bem vindas e outro PsychoNovel vem aí
Luiz Ehlers





























