Hoje vamos contar um sonho pra vocês. Vamos falar de um lugar fantástico, cheio de magia, diversão e mistério. Entre com a gente no “Le Cirque des Revês”, e seja arrebatado.
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Atenção: esse não é um livro sobre duelos, ação e romance, ele é sobre o circo. Não um circo comum com uma grande tenda e artistas que se apresentam nela, Le Cirques des Revês é diferente de tudo que você já viu. Para que vocês não criem falsas expectativas sobre a leitura, acho importante deixar bem claro que o ‘duelo’ não é um embate corpo a corpo e sim um teste de habilidades, e é nessa hora, que agradeço por não ter o costume de ler a sinopse antes do livro.
Vou me estender mais um pouco. Primeiro focando na questão da sinopse: NÃO LEIAM! Essa que deixamos aí em cima pra vocês está liberada, já a sinopse oficial da editora, não. Ela tem dois spoilers fortíssimos acerca do enredo, estragam uma grande surpresa da trama. Em segundo lugar a Mari não poderia ter colocado melhor: esse livro não é um romance, não conta história de pessoas em particular. O foco principal é o circo e por consequência, as pessoas que orbitam ao redor dele.
Celia é criada por seu pai, um ilusionista muito famoso, que a conduz pela arte da verdadeira magia de uma forma prática. Marco é órfão e foi criado por um homem misterioso, que lhe conduziu pelos mistérios da magia de uma forma reclusa e teórica. Os dois homens criam um jogo e Celia e Marco são treinados para se enfrentarem, mas eles não se conhecem, não sabem como o duelo será conduzido, quando irá acabar e qual o critério para declarar um vencedor.
Achei a forma da criação desse jogo bem interessante. A autora soube prender bem os dois personagens de modo que a surpresa sobre suas verdadeiras características e motivações ficassem claras apenas para nós e não para os outros personagens, mas já aqui começam algumas ressalvas que tenho com o enredo: os personagens não são fortes nem bem-construídos. Faltou uma maior conexão com o leitor. Senti em muitos momentos que a autora se perdia querendo apresentar muitas características de outros personagens e contar muitas histórias paralelas – algumas até sem grande acréscimo à trama -, deixando de lado o que realmente importava.
A história se passa entre os séculos XIX e XX, acompanhamos a concepção do Le Cirque des Rêves, que saiu da cabeça de Chandreseh e foi aprimorada por Sr. Barris – que cuida da arquitetura- , pelas irmãs Burgess – que conferem equilíbrio e experiências sensoriais -, e pela Mme. Padva – responsável pelo belíssimo figurino. Herr Thiessen, relojoeiro excepcional, não faz parte dos conspiradores originais, mas é o responsável pela construção do relógio que fascina os visitantes do circo, com seu encanto visual, além de ter sido o fundador dos revêurs – amantes do circo.
Em paralelo, Erin apresenta personagens já no futuro: os irmãos Murray (Poppet e Widget) e Bailey. Eles terão um papel importante no destino do circo, mas no início é bem confusa a forma como suas vidas são ‘jogadas’ ao leitor.
Erin conduz os leitores por entre suas tendas listradas e um mundo criado em preto e branco. A descrição das atrações é fantástica e envolvente, bem que eu gostaria de ter uma garrafinha com minhas melhores lembranças, ou acender uma vela na árvore dos desejos, passear pelo jardim de inverno… Ao final da leitura, senti como se eu tivesse visitado Le Cirques des Revês várias vezes.
As descrições do circo são realmente de tirar o fôlego. O ambiente do final do século XIX e início do XX é favorável para essa maior imersão no impossível. Há um clima de magia durante toda a leitra, onde os encantamentos andam de mãos dadas com a mecânica. O circo ganha espaço e vira o personagem principal não por acidente, mas por sua aparência sedutora e convidativa. Não costumo gostar de descrições extremadas, mas me encantei com cada palavra escrita sobre ele.
A narrativa é feita em terceira pessoa, sob o ponto de vista de vários personagens. O desenvolvimento é lento, não linear e passa por diversos locais. O grande mistério do circo é exatamente esse, não saber onde ele aparecerá da próxima vez, nem quantos dias irá permanecer no mesmo lugar. E é essa aura de mistério que envolve o circo que conquista tantos espectadores. Os revêurs, seguem o circo pelo mundo, tentando prever onde será sua próxima apresentação.
Há opiniões divergentes sobre o livro. Já conversei com quem amou e com quem odiou. Eu gostei, por vezes me vi cansada e sem entender aonde a autora queria me levar com determinada frase ou passagem; algumas vezes elas fizeram sentido mais à frente, em outras, eram realmente desnecessárias. O texto poderia facilmente ter 100 página a menos, com algumas partes facilmente deletadas e enxutas, talvez isso fizesse com que o enredo perdesse um pouco da magia… Talvez fizesse com que ele ganhasse o dinamismo necessário para a expectativa que todas as pessoas têm quando leem a palavra ‘duelo’ em sua descrição.
Eu me encantei, desde a capa – que por sinal tem tudo a ver com o enredo – até a diagramação e o texto em si. Compreendo o desgosto de algumas pessoas, mas, para mim, funcionou perfeitamente.
Os portões de ferro estremecem e se destrancam, como que por vontade própria. Abrem-se para fora, convidando a multidão a adentrar.
Agora o circo está aberto.
Agora você pode entrar.
Página 9
Os segredos têm poder – começa Widget. – E esse poder diminui quando eles são compartilhados, por isso, é melhor que sejam guardados. Dividir segredos, verdadeiros segredos, os importantes, até mesmo com uma só pessoa, fará com que mudem. Anotar é pior ainda, pois ninguém pode dizer quantos olhos poderão ler aquilo, não importa o quanto sejamos cuidadosos. Por isso é melhor guardar os seus segredos, quando os tiver, para o bem deles eo seu também.
Página 166

Alba

Mari
Playlist
Jeaf Beal – Alone in a crowd