Participamos do evento de lançamento da Editora Seguinte, selo da Cia das Letras, na Bienal de SP. Recebemos por conta disso uma prova de divulgação do livro “A Seleção”, que será lançado aqui no Brasil em 21 de setembro.
Nos empolgamos e resolvemos nos juntar para contar pra vocês nossas impressões. Bora lá?
Vale lembrar que o livro já está em pré-venda em 3 livrarias on-line! Seguem os links:
Comentários
A série “A Seleção” tem todas as características para conquistar um grande público: Distopia + triângulo amoroso + reality show num nível bem mais suave que Jogos Vorazes. Tudo dependia da capacidade de desenvolvimento da autora. Algumas coisas deram certo, outras nem tanto. Discorreremos sobre os fatos.
Concordo com a Alba! Potencial não falta… Afinal, essa combinação proposta pela autora e tão explorada na divulgação do livro tem tudo para conquistar os leitores e gerar um certo burburinho no universo literário.
A premissa está bem detalhada na sinopse. A terceira guerra mundial acarretou no nascimento de Illea, uma monarquia com a sociedade dividida em castas – denominadas como grupos -, onde cada pessoa está fadada às características de seu nível. São oito grupos distintos, cada um voltado a uma profissão e posição na sociedade. A monarquia está no Grupo 1, as pessoas sem acesso nem à comida, estão no Grupo 8. America Singer, nossa protagonista, é do Grupo 5, o grupo dos artistas.
Engraçado, não sei se fui eu que não prestei muita atenção no começo mas, ao contrário do que eu pensava, apesar de as pessoas serem divididas em castas elas moram nas mesmas cidades e até convivem entre si – claro que com um certo “distanciamento” como existe até aqui entre as “classes sociais”. O que as diferencia mesmo é, além das posses e da qualidade de vida (sempre pior nas castas inferiores), as profissões. É descaradamente como se um trabalho fosse melhor e mais digno que o outro.
Nesse ponto Kiera já mostra suas garras e coloca um amor “impossível” no caminho de America. Ela ama Aspen, um rapaz do Grupo 6. Ficar com ele significaria baixar de grupo. Esse é o gancho que a autora usa para criar as dúvidas da mocinha e, claro, a marra do mocinho. Nesse ponto ela perdeu parte da minha atenção, por conta da obviedade dos acontecimentos e transparência do segmento do enredo. Em parte, repito. Apesar do óbvio, a autora monta bem a química dos personagens e acabamos nos envolvendo na história e o desejo de continuar a leitura se avoluma.
Esqueça aquela fórmula “mocinha conhece mocinho misterioso e se apaixona instantaneamente” (pelo menos por enquanto…). Achei interessante que a autora já iniciou a história com a protagonista sendo parte de um relacionamento que já dura dois anos. Dá para perceber que America e Aspen têm uma história, que foi sendo construída aos poucos. Mas o inusitado para por aí… Grande parte do enredo é bem previsível e com o romance não seria muito diferente!
Montada uma ponta do triângulo amoroso, é hora de partir para a outra. Ela chega sobre a forma de Maxon (que li o tempo todo como “Madox”, não me perguntem o PORQUÊ!), o príncipe de Illea que está na idade de se casar e, para isso, ocorrerá uma seleção na qual ele escolherá sua futura esposa dentre 35 garotas. Adivinhem quem é escolhida para fazer parte da série “The Bachelor” versão distópica? Eu! Mentira, a Mari e a Sá! MENTIRA! A America, óbvio!
Eu, eu, me escolhe! Ok, hora de fazer um “mea culpa”. Gente, que reality show é esse?! Como se já não fosse divertido assistir às edições contemporâneas de “The Bachelor” (eu nem faço isso, tá?), imagina o formato do programa adaptado em um castelo, em plena monarquia! Some às cantadas piegas vestidos maravilhosos, centenas de serviçais, banquetes intermináveis e joias maravilhosas! Apesar de o livro apresentar sim certos furos no enredo, não pude deixar de ter o meu lado “menina deslumbrada” despertado. Se você gosta (ou sempre quis ser uma) de histórias de princesas, vai entender o que eu estou falando… Pena que ele não foge muito disso.
Como já disse, a história transcorre de forma bem óbvia. Sabia tudo o que aconteceria a seguir, mas mesmo assim, seguia envolvida com o enredo. Kiera é uma ótima autora, mas com ideias simplistas demais e com algumas falhas graves de desenvolvimento de enredo. Há acontecimentos estapafúrdios, claramente forçados. Uma boa história, mas que tinha toda a força para ser ótima.
Assino embaixo do que a Alba falou! Acredito que a história tem uma premissa ótima e que poderia ter sido abordada de diversas formas. Porém, ao tentar dar conta de tudo, a autora acabou se perdendo em alguns pontos e deixando certos furos no enredo – não posso citar todos e nem me aprofundar nessa discussão porque senão acabaria soltando altos spoilers, mas prestem atenção na forma como a família real conduz o país. Acho que os pontos mais fracos se concentram justamente na construção da política por trás da história, ponto importantíssimo de qualquer livro distópico.
Portanto sim, a narrativa consegue divertir e prender a atenção do leitor. Mas, apesar de ser uma leitura bastante agradável, não passa aquela sensação de “algo mais” e nem se destaca entre as outras obras do gênero. Basta saber como a autora vai explorar esses elementos na continuação!
(…) Se aquilo fosse mais longe – e deixasse para trás qualquer prova -, acabaríamos na cadeia.
Outra razão porque todos se casavam jovem: era uma tortura esperar.
Página 55
(…) Gosto dessa história de felizes para sempre e tal. Qualquer um pode ser a próxima rainha. Dá esperança. Me faz pensar que eu também posso ser feliz para sempre.
Página 23

Alba

Sabrina
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