Depois de muito tempo, eis que me cai em mãos o livro mais recente do Leandro Reis, Garras de Grifo. (Obrigada a Editora e ao Leandro pela oportunidade)
Pra que já acompanha o blog há algum tempo, deve se lembrar que resenhei a trilogia Goldshine (Filhos de Galagah, Enelock e O Senhor das Sombras) que diga-se de passagem, AMEI!
Pra quem conhece o autor e suas obras anteriores eu garanto, o nível de qualidade e diversão é o mesmo dos livros anteriores. Bora conhecer?

Garras de Grifo é uma aventura selvagem, de sofrimento e coragem, na qual a vitória só poderá ser conquistada no fio da espada e com o sangue de heróis. As gêmeas, Alexia e Ingrid, nasceram em uma tribo localizada nas inóspitas savanas bárbaras, onde vivem guerreiros ferozes, criaturas sobrenaturais e deuses antigos. Treinadas sob a espada severa de seu pai, elas tiveram sua força e resistência forjadas no suor e na dor. Contudo, todo o treinamento não as preparou para o maior desafio de suas vidas: A ruína de seu povo, causada por ganância e traição. Essas guerreiras vagarão pelo continente, passando por aventuras épicas, conhecendo locais fantásticos e fazendo aliados improváveis, enquanto lutam pela sua sobrevivência e buscam vingar seu povo. Distante, um deus as observa. Uma força caótica, que ri ao vê-las lançando-se com fúria cega em uma batalha contra o impossível: Derrotá-lo.
Comentários
Garras de Grifo de passa no mesmo cenário da trilogia Legado Goldshine, aproximadamente 5 décadas depois. Sukemarantos é um vilão há muito tempo esquecido, novas leis foram constituídas e diversos povos formados.
A população bárbara se dividiu em clãs e, entre esse clãs, mais precisamente do clã dos Grifos, nascem as gêmeas Alexia e Ingrid. Não só nesse enredo, mas em diversas outras culturas antigas, acreditava-se que gêmeos eram sinal de mau presságio e um deveria ser sacrificado. Na história esse seria o mesmo destino das gêmeas, não fosse a intervenção de Reimbrand, pai das pequenas e um respeitável e temido guerreiro.
Desde cedo, ficou claro a diferença e a natureza das duas. Ingrid desde criança dá indícios de que será a gêmea má e a Alexia a de coração puro.
Mas vamos e convenhamos uma história com irmãs gêmeas é de certa forma ousada, pois a intenção do autor é trabalhar as duas personagens em completa sincronia sendo elas, as principais da trama. Não é fácil tal tarefa, pois cada personagem tem uma personalidade diferente da outra e é necessário haver o equilíbrio entre as duas histórias.
Cada linha é uma surpresa e uma emoção à parte. Mas por conhecer outros livros do Leandro, já esperava boas doses de humor, que demoraram a surgir. Somente quando Valius aparece (lááá pela pág. 100) é que as risadas começam.
Talvez seja falha minha, mas após ler sobre Galathea, Iallanara e companhia, por diversas vezes me vi comparando personagens e personalidades. As histórias pouco se assemelham, o enfoque em Garras de Grifo é diferente de Grinmelken.
Outro ponto à parte que não pode ficar de fora é o cenário e suas descrições. Uma característica positiva do Leandro é que ele não enche linguiça. Ele revela qdo tem que revelar, e enrola quando tudo fica mais emocionante.
E tenho que desabafar: LEANDRO, MATE MENOS CAVALOS DA PRÓXIMA VEZ!!! (pronto, falei!) Certas passagens são extremamente violentas e eletrizantes, e graças a deus não me apeguei tanto aos personagens, mas poxa, tinha que matar tantos bichinhos assim? Rs
Mas voltando a parte violência, achei certas partes bem descritivas, que me fizeram imaginar a cena como se eu estivesse presente. Esse é um ponto que gosto muito na leitura, porém nem todos curtem cabeças rolando e sangue jorrando. Tudo isso sendo descrito precisamente.
E pra finalizar, estou me coçando pra soltar um spoiler, mas vou soltar a dica: Lembram do cara engraçado que eu adorava na história da Galatea? Pois é, ele faz participação nesse livro. (Para minhaaaaaaaaaaaaaaaaaaa alegria!)
Talvez eu não tenha sido tão imparcial nessa resenha em específico, pois realmente me apeguei aos outros livros, e não me recuperei psicologicamente até hoje e devido a isso, confesso que falhei em separar as histórias e personagens.
O livro teve um final fechado, mas com espaço para possíveis histórias paralelas. Pelo menos assim eu imagino. Adoraria acompanhar a vida da Alexia e Ingrid pós Garra de Grifos.
- Meninas! Posso interferir? – Vélius estava debruçado na escada. – Sabe quando você esconde alguma coisa e conta uma verdade menor para distrair?
- Vélius, não estou com paciência. – Alexia o encarou.
- É melhor eu contar para a minha esposa que eu a traí com uma camponesa do reino vizinho do que eu dizer a ela que estou dormindo com a sua irmã. – explicou ele.
Página 202
