Hoje vou falar de um livro distópico, com zumbis e que – que rufem os tambores – ocorre no interior de São Paulo! Bora lá saber o que achei do livro do Tiago Toy.
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A premissa do livro é um convite à leitura, pelo menos para aqueles que, como eu, são aficionados por zumbis.
Minha primeira leitura sobrenatural com o enredo inserido no Brasil foi com a série “Bento” de André Vianco. Como no livro de Vianco, Tiago Toy usou o interior de São Paulo para ambientar sua fantasia urbana, ou para os que curtem o termo, sua distopia. A história se dá em Jaboticabal e região. Não conhecia a cidade, mas Tiago a descreveu com tantos detalhes e paixão que me senti inserida no ambiente.
Tiago (sim, o protagonista tem o mesmo nome do autor), já começa sua narrativa explicando para gente o inferno no qual se encontra e na correria louca que sua vida se tornou. Dentro de um freezer, fugindo de três zumbis, ele observa suas opções e vai revelando todas suas habilidades e pelo que já passou para chegar até ali.
A palavra “Fuga” que dá nome ao livro, pode ser considerada o cerne de toda a narrativa e a palavra que motiva todas as ações de Tiago. O ritmo do enredo é desenfreado, com muita coisa acontecendo o tempo todo e recheadíssimo de zumbis. Aliás, esse ponto em minha opinião foi o forte da narrativa: o protagonista é praticante de pakour, então, durante toda a correria ele explica seus movimentos, suas escaladas, enfim, suas ações e isso faz com que sua sobrevivência seja verossímil. Os zumbis do livro do Tiago (não são bem zumbis, mas abordamos isso mais à frente), são rápidos e ágeis, mas burros. Fica claro desde o início que uma pessoa sedentária – eu, por exemplo – morreria rapidinho nas mãos deles.
O protagonista é bem-construído e tem características marcantes. A narrativa é em primeira pessoa, passando para a terceira pessoa em apenas um momento, quando acompanhamos a história de Daniela, uma sobrevivente que, como Tiago, teve que lutar pelo direito de viver. Essa distinção deixa os limites da narrativa bem claros. A diagramação quando há lembrança também é diferente, com mudança na cor da página.
Agora vou falar de Daniela. Em nenhum momento me conectei com a personagem. Suas mudanças de humor e suas intenções me deixaram o tempo todo confusa sobre a sua personalidade. Há durante a narrativa uma intenção clara de criar um elo entre os dois personagens e com isso um possível romance. Não há química, os dois se repelem.
Quanto aos zumbis – ou os seres humanos acometidos pela estranha doença -, também fiquei sem entender bem suas características. Talvez por já termos uma ideia pré-concebida a respeito das características desses seres, não me conformava quando algum deles morria com um simples tiro na barriga. Também não ficou claro quanto tempo demorava para um ser humano se transformar e como se dava a infecção. Faltaram explicações mais claras sobre esse universo.
As cenas de ações têm suas descrições instáveis… Ora me via completamente imersa na cena e entendendo tudo o que acontecia e em outros momentos o autor me perdia, como se tivesse esquecido de inserir alguma explicação importante. Algumas coisas também tinham seu desenrolar muito simplificado, quando tinham que ser mais esmiuçadas e, em outros casos, uma ação que deveria ser corriqueira e não tomar mais do que dois parágrafos, se estendia mais do que o devido.
Do meio do livro pro final, quando as verdades sobre a história começam a ser reveladas, fica impossível não fazer relação com a série “Resident Evil”. Como conheço tanto os filmes quanto os jogos de videogame, as similaridades me frustraram bastante.
No geral, o livro é de leitura rápida e envolvente. Vi alguns defeitos, mas a narrativa do autor é contagiante, e nos leva em questão de horas até o desfecho final. Espero que o próximo volume da série tenha menos similaridades com a série Resident Evil e que o Tiago me surpreenda com algo realmente inovador.
Um ponto positivo da obra é sua arte gráfica: a foto tirada para a capa da igreja descrita no enredo ficou ótima! A forma como foi manipulada para parecer abandonada e o joguete com o nome da cidade com os dizeres “Jaboticabou” foi uma grande sacada. A revisão está ótima e diagramação facilita muito a leitura.
Odeio ter que chegar perto deles. Odeio ter que matar pessoas que conheci em vida. Lembrar de como eram em vida, andando pela rua principal, olhando as vitrines, fofocando com as amigas. (…) Não sou eu quem devia ditar seu destino. Não sou eu quem devia cravar o facão no meio de suas cabeças para evitar ser um deles. (…) Eu não pedi isso. Eu não mereço essa merda.
Página 65

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