Hoje vou falar de um livro infantojuvenil nacional. Catrina foi uma grata surpresa essa semana! Bora lá saber o que eu achei?
Coleção "Universo de Todos os Olhos"
Tempos de AlgóriA - 2011
Catrina e o Reino de todos os olhos - 2011
Resvalamentos - 2012
Catrina e o Reino de Todos os Olhos
Richard Diegues
Editora:
Tarja Editorial Páginas: 196 ISBN: 9788561541200 Publicação: 2011 Compre:
Sinopse:
Obra infantojuvenil que busca manter a ousadia no aspecto visual e no conteúdo que conta uma história complexa com personagens ricos em conflitos internos. Nela, dragões e criaturas bizarras enfrentam seres místicos e cavaleiros de armaduras brilhantes. Tudo isso, no entanto, se passa em um onírico universo de Sonhos e Pesadelos, um universo que corre risco devido aos passos de uma garotinha dentro deste mundo
Alba Milena, casada, 35 anos, é mãe do menino mais lindo do mundo: o Lucas. Supereclética nas suas escolhas de leitura, nutre um ódio profundo e inexplicado por Danielle Steel. Também pode ser encontrada no @AlbaMilena.
O livro de hoje foi uma grande surpresa! Minha irmã (Obrigada, Adriele, te amo <3) o comprou há duas semanas.
Fui em sua casa e ela me disse que o protagonista era o amigo imaginário de um autista! Não preciso nem dizer que fiquei supercuriosa, né? Bora lá saber o que eu achei?
Memórias de uma amigo imaginário
Matthew Dicks
Tradutor: Silvia Cobelo Editora:
iD Páginas: 432 ISBN: 9788516080488 Publicação: 2012 Preço de Catálogo: R$34,90 Compre:
Sinopse:
Enquanto Max acreditar em mim, eu existo. Posso precisar da imaginação do Max para existir, mas tenho os meus pensamentos, as minhas ideias e a minha vida, tudo isso separado dele. Max não gosta de gente da mesma forma que as outras crianças gostam. Ele gosta das pessoas, mas bem de longe. Quanto mais afastado alguém ficar de Max, mais ele vai gostar dessa pessoa.
“Nós dois não gostamos da Sra. Patterson, mas ultimamente ela e Max estão estranhamente próximos. Isso não é normal, muito menos para alguém como o meu amigo. Ele corre perigo, tenho certeza...”
Uma história apaixonante e dramática sobre amor, lealdade e sobre o poder da imaginação. Perfeita para qualquer um que já tenha tido um grande amigo – real ou não...
Alba Milena, casada, 35 anos, é mãe do menino mais lindo do mundo: o Lucas. Supereclética nas suas escolhas de leitura, nutre um ódio profundo e inexplicado por Danielle Steel. Também pode ser encontrada no @AlbaMilena.
Hoje vou falar de um infantojuvenil superbonitinho. Cósmico é desses livros para ler e se divertir.
Bora lá?
Cósmico
Frank Cotrell Boyce
Tradutor: Antônio Xerxenesky Editora:
Seguinte Páginas: 336 ISBN: 9788565765039 Publicação: 26/10/2012 Preço de Catálogo: R$34,90 Compre:
Sinopse:
iam sempre sentiu como se estivesse dividido entre dois mundos. Principalmente porque ele é um garoto de doze anos que parece ter mais ou menos trinta. Às vezes isso não é tão ruim, como quando o diretor da escola nova acha que ele é um professor ou quando ele consegue convencer um vendedor a deixá-lo fazer um test drive num Porsche sem apresentar a carteira de motorista. Mas na maior parte do tempo é muito frustrante ser uma criança presa num mundo adulto. Ele não pode cometer nenhum erro, ou todo mundo diz: “Um rapaz do seu tamanho deveria saber das coisas”.
Então Liam decide agitar um pouco a situação e participar do concurso que vai eleger o melhor pai de todos os tempos - concorrendo como pai, claro. O prêmio é o direito de estar no primeiro foguete que vai levar pessoas comuns para o espaço, em um voo especial para um grupo de crianças e um adulto responsável - no caso, Liam. Não demora muito para que ele e seus novos amigos fiquem presos entre dois mundos novamente - só que dessa vez a 380 mil quilômetros de casa.
Alba Milena, casada, 35 anos, é mãe do menino mais lindo do mundo: o Lucas. Supereclética nas suas escolhas de leitura, nutre um ódio profundo e inexplicado por Danielle Steel. Também pode ser encontrada no @AlbaMilena.
Hoje vou apresentar uma série para vocês que me deixou de queixo caído. A série “O Inimigo” tem o estilo de Gone, mas é muito mais cruel! O primeiro livro da série foi lançado em 2011, entrei em contato com a Galera Record e eles me informaram que os dois próximos livros serão lançados no ano que vem.
Bora lá saber mais sobre ela =)
Série “O Inimigo“:
O Inimigo – 2011 (português)
The Dead – 2010 (inglês)
The Fear – 2011 (inglês)
The Sacrifice – 20/09/2012 (inglês)
Quem tinha mais de 14 anos foi tomado por uma doença. Os que não tiveram a sorte de morrer vagam pelas ruas atrás de crianças para matar. As crianças se organizaram para fazer expedições de busca por suprimentos nas redondezas, mas achar comida é cada vez mais difícil e perigoso. Uma promessa de comida e abrigo no Palácio de Buckingham é uma possibilidade, mas para isso será necessário atravessar a cidade. Será que elas chegarão lá vivas?
Comentários
Eu não sei nem por onde começar. Acho que isso basta pra começar a dar uma ideia pra vocês de como essa leitura me envolveu.
Há em alguns livros do gênero a constante visita a uma previsão apocalíptica da Bíblia: o arrebatamento. Pra quem não conhece o termo, vou explicar de forma bem simplista: chegará o dia em que os puros de coração serão levados aos céus e por aqui na Terra ficarão apenas os que não seguem as palavras de Deus. Entre os arrebatados está prevista a ida de todas as crianças, por serem puras e livres de pecado. Pra quem quiser se aprofundar mais, 1ª Tessalonicenses 4 dos versículos 13 ao 18. Também há menção no livro de Coríntios e Apocalipse.
Quero deixar claro que citei a passagem apenas para apoiar de onde eu acredito que venha esse tipo de ideia, em nenhum momento estou afirmando que os autores tenham qualquer ideia religiosa por trás de suas histórias, quis apenas situar vocês.
Pois bem, nesse tipo de literatura é como se o arrebatamento houvesse ocorrido ao contrário. Todos os adultos se foram e apenas as crianças abaixo de 14 anos se salvaram. Em Gone há realmente um desaparecimento dos adultos. Já em “O Inimigo”, uma praga assolou toda a população acima dos 14 anos, os que não morreram viraram uma espécie de zumbi, um ser sem muito discernimento, levado apenas pela ânsia por carne fresca. Pobres crianças… A narrativa se passa em Londres e a mudança de cenário dos costumeiros livros distópicos é muito bem-vinda.
Aí conhecemos nossos protagonistas, um grupo de crianças que vive em um supermercado e que luta diariamente para conseguir comida e se livrar dos ataques constantes dos “Adultos”, que estão cada dia mais ousados e atacando de forma desenfreada. Arran e Maxie são os líderes desse grupo de crianças.
A narrativa é feita em terceira pessoa, e gente, sentem para ler o que falarei agora: uma terceira pessoa onipresente, que passeia por todas as mentes e nos dá a visão geral de tudo o que se passa no enredo! Nesse tipo de livro é comum a narrativa em terceira pessoa, mas apenas focada na visão de um personagem. Agora vocês podem me perguntar que grande diferença isso traz pra história, e eu respondo, minha gente: A possibilidade de acontecer QUALQUER COISA. Não existe um personagem intocável. Nenhum deles está garantido na trama. Todos podem morrer. Todos podem se machucar. <3
Vocês têm noção da dinâmica que isso traz para o livro? Das possibilidades abertas por esse tipo de escolha de narrativa?
Aliás, dinâmico é uma boa palavra para definir o enredo. É impossível começar a leitura e não dar segmento a ela até chegar às páginas finais. A ação está presente do início ao fim, não permitindo que nenhum personagem descanse nem um segundo sequer. Há duas frontes na narrativa, a busca do grupo principal por um lugar melhor, que é tido como a chegada ao Palácio de Buckigham e as aventuras do Pequeno Sam, um garoto de 9 anos que foi sequestrado pelos adultos e agora busca se encontrar novamente com sua irmã Ella, que está no grupo principal.
Todos os personagens têm características próprias e bem-definidas. Não me estenderei falando de cada um pois a linha entre a vida e a morte deles é tão tênue que tenho medo de discorrer demais e acabar soltando algum spoiler, basta afirmar que o autor colocou muito bem a verdade de cada um e o porquê da atual personalidade.
Por ser uma série, sempre há o medo que o autor acabem enrolando no final da trama e que as coisas não acabem bem-resolvidas. Isso não acontece no livro. Charlie desenvolve a trama proposta e deixa uma enorme possibilidade no final, mas apenas como uma ótima abertura para o segmento da série.
Fica claro que antes de escrever, o autor fez um esquema de onde queria que cada personagem chegasse em sua trama. Nada está lá por acaso, todas as pontas são bem-amarradas.
Em suma: uma ótima leitura, cheia de ação e com uma história bem-pautada. O suspense e a ação são mantidos em toda a narrativa e o ritmo não cai um minuto sequer. Ótimo para quem curte livros infantojuvenis com uma pegada mais cruel.
Super-recomendo!
Ele não estava mais com medo. No começo, tinha sido quase demais para aguentar. Tinha ficado paralisado de tanto terror. Mas ficar com medo era cansativo e, aos poucos, a sensação foi se dissipando, de modo que agora ele se sentia entorpecido. E estava de saco cheio.
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Sobre o autor
Alba Milena, casada, 35 anos, é mãe do menino mais lindo do mundo: o Lucas. Supereclética nas suas escolhas de leitura, nutre um ódio profundo e inexplicado por Danielle Steel. Também pode ser encontrada no @AlbaMilena.
Hoje vou falar do primeiro livro de uma série nacional. “Ouro, Fogo & Megabytes” é o livro de estreia do autor Felipe Castilho, e posso afirmar pra vocês: o garoto promete! Bora?
Série “O Legado Folclórico” (Serão 5 livros):
1. Ouro, Fogo & Megabytes – 2012
2. Livro ainda sem título – 2013
Transitando entre uma renovada mitologia nacional e a atmosfera geek que envolve o nosso cotidiano, “Ouro, Fogo & Megabytes” é o primeiro livro da coleção O Legado Folclórico, do paulistano Felipe Castilho. Anderson Coelho é um garoto do interior que vive a maior do tempo no mundo virtual de Battle of Asgorath (ou simplesmente BoA), um MMORPG medieval que é a sensação do momento. No ranking geral dos jogadores ele é o segundo colocado, atrás apenas de Esmagossauro, um misterioso e impiedoso player. Porém, a habilidade nos games nunca facilitou a sua vida escolar. Após uma desastrosa aula de Educação Física, Anderson ganha uma suspensão e não sabe como explicar o ocorrido aos pais. Eis que um estranho surge em sua cozinha, convencendo seus pais a liberarem-no para uma viagem a São Paulo, o que vem bem a calhar. A Partir disso, Anderson se vê envolvido em uma perigosa trama envolvendo uma ONG e uma corporação interessada em recursos naturais (e lucro) a qualquer custo. Wagner Rios, carismático dono da empresa Rio Dourado, sequestrou a última criatura de uma antiga espécie de elementais – a Mãe D’Ouro. O problema é que além de Anderson e seus novos amigos, outra criatura está vindo salvar a elemental. Ela é grande, é de fogo, e não está nada feliz… Repleto de aventura, espionagem, linhas de programação, vírus, cucas, sacis e capelobos, Ouro, Fogo & Megabytes mudará a forma em que você enxergava o folclore nacional.
Comentários
Por que ninguém nunca pensou nessa premissa? Me respondam!
Folclore brasileiro + ação + videogame + a boa e velha fantasia infantojuvenil = diversão na certa!
Felipe começa o livro nos inteirando sobre termos usados em jogos e que seu personagem principal – Anderson – e seus amigos usarão com frequência durante o decorrer da história. Esse começo é superdinâmico. O autor chega a usar inclusive a descrição do que ocorre dentro do jogo, em paralelo com as ações do mundo real. Achei essa parte superinteressante e esperava mais dessa fórmula durante o restante do livro, pena que não aconteceu.
A premissa se apoia na “jornada do herói”, não sabem o que significa o termo? Bora ver o que a tia “Wikipedia” tem para nos contar:
O monomito (a.k.a “Jornada do herói”) está dividido em três seções: Partida (às vezes chamada Separação), Iniciação e Retorno.
A Partida lida com o herói aspirando à sua jornada; a Iniciação contém as várias aventuras do herói ao longo de seu caminho; e o Retorno é o momento em que o herói volta à casa com o conhecimento e os poderes que adquiriu ao longo da jornada.
Perceberam? Conseguem por aí avaliar todos os livros que leram e que tinham exatamente essa fórmula em seu “código genético”? Vou analisar o livro do Felipe partindo dessa descrição e será por meio dela que farei minha observações:
Separação.
A apresentação da vida pré-separação de Anderson é rica e interessante. Achei todos os personagens bem-construídos e fieis às suas características. Anderson é um menino que mora no interior de Minas Gerais, tímido e não é dado às atividades físicas. Seu mundo se resume às atividades escolares – onde não é nenhum gênio, diga-se de passagem – e, claro, ao seu mundo virtual, onde joga o Battle of Asgorath (BoA), sob o codinome de Shadow Hunter. Nesse mundo virtual ele é uma lenda, o segundo melhor jogador da plataforma. Sua vida escolar é bem apresentada e espero que renda mais no próximo volume da série.
Essa primeira parte da narrativa tem uma queda no pós-separação. Felipe criou uma ponte entre a separação e a iniciação que achei completamente desnecessária. Anderson é encontrado pela Organização e vai enfim ao encontro de seu destino, mas, até que se inteire de tudo o que está acontecendo e o motivo para sua acolhida, passam-se muitas páginas com uma enormidade de inserções não tão importantes. Acredito que essas páginas poderiam ter sido melhor usadas na construção mais rica dos personagens dessa fase, já que são tão pouco descritos que suas características acabam se confundindo, fazendo com que o leitor tenha que voltar o texto continuamente para saber a quem o autor ou o protagonista estão se referindo.
A narrativa é em terceira pessoa, mas sob o ponto de vista do Anderson. Essa forma de narrativa é bastante usada na jornada do herói, por nos dar apenas a visão do protagonista e com isso, fazer com que o leitor entenda o desenrolar dos fatos junto com ele. Felipe escorregou nessa ferramenta apenas em um ponto. Há um momento em que ele troca a visão para que um personagem coloque sua opinião sobre o menino; eu me senti confusa de início, mas acredito que muitos de vocês não repararão essa escorregadela.
Iniciação.
Aqui as coisas começam a esquentar. Há uma parte entre a separação e a iniciação em que as duas se fundem, quando Anderson finalmente sabe a que veio e porque é tão importante que se doe completamente à empreitada. Felipe soube colocar muito bem todos os fatos, com cenas repletas de ação e as explicações para cada lenda ou característica de certo personagem, bem inseridas na narrativa. O motivo da escolha de Anderson não fica totalmente claro, espero que o autor explique-se melhor na continuação da série, mas isso não atrapalha nem um pouco a magia da história e seu desenrolar. Claro que há situações estapafúrdias onde uma criança consegue, sem muita ajuda, o que seria praticamente impossível até mesmo para um adulto, mas (gente, é um GRANDE MAS!), qual livro infantojuvenil que não usa dessa técnica? Essa é a magia do gênero!
Retorno.
Aqui, Felipe foi GENIAL. Arrematou de forma arrebatadora o livro, não deixando pontas exageradamente soltas para sua continuação, mas permitindo uma fresta cheia de possibilidades. Ele ainda pretende lançar mais 4 livros para sua série, então espera-se uma verdadeira jornada do herói, com o personagem crescendo tanto física quanto emocionalmente. Louca pra saber o que mais ele preparou para a gente.
Resumão da minha opinião.
No geral, o livro do Felipe leva 3,7 estrelas. Ele tem falhas, mas a narrativa é tão gostosa que as oblitera. Sugiro nos livros seguintes um maior cuidado com os personagens, ainda mais com os que serão de suma importância na narrativa. Alguns acontecimentos perderam o seu élan exatamente por essa falha na construção. Faço um aparte para a arte gráfica da Editora Gutenberg. O livro está lindo e a diagramação facilita a leitura. Todos os capítulos são iniciados com um ilustração que por algumas vezes traz um minispoiler dos acontecimentos, mas, mais uma vez, isso também é comum nesse gênero.
Também vale observar a questão ecológica que Felipe levanta.
Minha dica: Fiquem de olho no Felipe, é um autor que promete!
- Ei, coisa feia! – gritou Anderson, saindo de trás de sua proteção e chamando a atenção de sua perseguidora. Um vento súbito ergueu o casaco longo do monstro e fez os seus fios loiros esvoaçarem. Pensando bem, ela realmente tinha um quê da Cuca do Sítio do Pica-Pau Amarelo – Vem me pegar, sua paquita do inferno!
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Sobre o autor
Alba Milena, casada, 35 anos, é mãe do menino mais lindo do mundo: o Lucas. Supereclética nas suas escolhas de leitura, nutre um ódio profundo e inexplicado por Danielle Steel. Também pode ser encontrada no @AlbaMilena.
Enquanto estou lá, na Bienal do livro de SP (sim, sou praticamente onipresente =D), vou indicar pra vocês um livro delicioso, com a temática apocalíptica e muito, muito cativante! Bora lá?
Tradutor: Christian Schwartz Editora:Paralela Páginas: 216 ISBN: 9788565530088 Publicação: 10 de agosto de 2012 Compre:
[Leia um trecho]
Sinopse:
Em um sábado aparentemente comum, na Califórnia, Júlia e sua família acordam e descobrem, com o resto do mundo, que a velocidade de rotação da Terra está diminuindo. Os dias e as noites vão ficando mais longos, fazendo com que a gravidade seja afetada e o meio ambiente entre em colapso. Pássaros desorientados caem mortos do céu, centenas de baleias encalham na praia, as marés saem de controle. Enquanto alguns entram em pânico, outros procuram viver como se nada estivesse acontecendo, agarrando-se a qualquer custo à sua rotina e ignorando a evidência de que o fim do mundo se aproxima. Ao mesmo tempo que luta para sobreviver às mudanças e se adaptar à nova “normalidade”, Júlia tem que lidar com os problemas típicos da adolescência e os desastres do cotidiano: a crise no casamento de seus pais, a perda de antigos amigos, as amarguras do primeiro amor e o estranho comportamento de seu avô, que acredita que tudo se trata de uma conspiração do governo e passa os dias catalogando suas posses obsessivamente.
Comentários
Dois marcos na vida de uma única pré-adolescente: o primeiro é comum, a difícil passagem da infância para a adolescência e toda a dificuldade em se tornar uma nova pessoa, de acordo com os novos desafios propostos; a segunda é inusitada: A Terra está com a rotação em progressa desaceleração. O mundo continuará o mesmo? Como isso começou? Quais os efeitos dessa nova realidade?
Júlia tem uma melhor amiga, Hanna, e está com ela em sua casa, pronta para ir ao treino de futebol, quando a notícia da desaceleração da Terra, cai sobre sua família. A princípio o desespero toma conta de todos, a família de Hanna, por ser religiosa, resolve se afastar para um retiro. A família de Júlia segue sua vida, controlando o fato, mas convivendo com ele; cada membro encarando a tragédia do seu próprio jeito.
O núcleo familiar de Júlia é composto por ela, sua Mãe e seu Pai. Sua mãe é uma ex-atriz, que agora leciona teatro, seu pai é obstetra, especializado em gravidez de alto-risco. Seus empregos denotam bem suas características: a Mãe de Júlia é dada ao drama, superexagerada em suas reações, está sempre levando tudo aos extremos; seu pai é um homem calado, acostumado a lidar com problemas e resolvê-los de forma serena. Júlia demonstra durante todo o enredo uma mistura das duas personalidades.
É um livro intimista, uma tragédia vista sob o ponto de vista de uma adolescente, que conta, a partir de um futuro em que vive e que nunca comenta, como tudo começou. São lembranças de um tempo passado, recheadas de saudosismo, com uma clareza de ideia características de uma pessoa adulta, incorporadas nos acontecimentos da vida de uma pré-adolescente.
A nova realidade vai se desnudando aos poucos durante a leitura. Os acontecimentos vão se desencadeando, o mundo vai se desintegrando, relações vão deixando de existir e novas se firmam.
A narrativa é em primeira pessoa, sob o ponto de vista da Júlia, então todas as informações que temos sobre os desastres e sobre os desdobramentos da desaceleração são as impressões dela e tudo o que ouviu falar. Algumas perguntas ficam propositalmente sem resposta, nós sabemos o que ela sabe. O que não atiça sua curiosidade, não nos é revelado.
Gostei bastante da crítica à sociedade embutida no livro. Durante a desaceleração, há duas linhas seguidas pelas pessoas: umas acompanham o novo tempo da terra, com dias e noites mais longos, e outra, a mais rígida, que continua seguindo o relógio de 24 horas, independentemente da posição do sol. Há um preconceito pelas chamados “Seguidores da hora real” que beira o fanatismo religioso. Considerados páreas, são excluídos e rechaçados de forma velada pelos “Seguidores do relógio”.
O paralelo feito entre crescimento pessoal em meio a uma catástrofe foi um toque de gênio. Por muitas vezes me senti mais enlevada pelo drama pessoal de Júlia do que pela desaceleração em si. A história de Júlia é simples, seus dramas são comuns, sua vida é comum, mas a escrita de Karen nos envolve completamente. A forma como Júlia (sob oo ponto de vista de protagonista que já viveu aquilo) às vezes nos avisa de algo que ainda está por vir é sútil, mas eloquente quanto ao dano – ou benefício – que aquilo levou.
Faço um aparte para falar do avô de Júlia. Já com 86 anos, ele rouba todas as cenas em que aparece. Seu desenvolvimento foi o mais curto e o mais emocionante.
Leiam!
Talvez tivesse começado antes da desaceleração, mas só depois fui me dar conta: minhas amizades estavam se desintegrando. Tudo estava desmoronando. Foi uma travessia difícil aquela, da infância para uma próxima vida. E, como qualquer outra dura jornada, nem tudo sobreviveu.
Alba Milena, casada, 35 anos, é mãe do menino mais lindo do mundo: o Lucas. Supereclética nas suas escolhas de leitura, nutre um ódio profundo e inexplicado por Danielle Steel. Também pode ser encontrada no @AlbaMilena.
Ariza tem treze anos, acabou de chegar à nova escola e já está perdidamente apaixonado. Para expressar o seu amor, além de tudo o que vive e sente, ele decide escrever um blog, “porque escrever [...] é a única maneira que encontrou para fazer com que os outros o escutem”. Lá, ele pode falar livremente sobre a garota de sorriso encantador que encontrou na biblioteca da escola, quando ia devolver O amor nos tempos do cólera, sua leitura de férias de que tanto gostou.
Assim começa a trama de O amor nos tempos do blog, um romance que se constrói de blog em blog, em que, depois de muitos desencontros, três histórias se cruzam, culminando em um final surpreendente. Além do blog de Ariza, há também o da Deusa Cibernética, uma garota que, segundo sua própria descrição, é divina, divertida e popular, gosta de frequentar o shopping com as amigas e está sempre de olho no menino mais gato do momento, e o de Cinderela Virtual, “uma adolescente que acredita no amor”, não liga para a aparência e espera encontrar o seu príncipe encantado.
É a linguagem rápida e dinâmica da internet que une os três personagens desta história e vai aos poucos revelando semelhanças e ligações inesperadas entre estes três adolescentes aparentemente tão diferentes, com características muitas vezes opostas e particularidades que se revelarão só ao fim da narrativa.
Comentários
Antes de começar a falar do livro em si, acho legal que vocês entendam a premissa e onde ela se apoia.
O autor, Vinícius Campos, teve como base de sua história o enredo do livro “O amor nos tempos do cólera” de Grabriel García Márques. Vou dar uma resumida na premissa dessa segunda obra e depois comparamos os dois enredos:
Florentino Ariza, o protagonista da história, se apaixona por Fermina Daza e depois da troca de algumas cartas, ao conhecê-lo ela o rejeita e se casa com outro. Ariza segue apaixonado e o enredo se desenrola. Toda a história tem como base a real história de amor dos pais do autor.
Bem, eu confesso que não conhecia a obra de Grabiel García Márques e fiquei depois da leitura de “Amor nos tempos do blog“, bem curiosa com o enredo. Mas foi só isso que a história me despertou.
O protagonista de Vinícius toma emprestado o nome do protagonista de Gabriel – Ariza -, e cria um blog para desabafar seus infortúnios e impressões da vida. Por um golpe do destino, uma garota – “Cinderela Virtual” – acha seus textos e passa a conversar com ele. De volta à vida real, Ariza (seu nome verdadeiro não é revelado logo no começo) conhece uma garota linda na biblioteca da escola, se apaixona perdidamente e começa a falar sobre ela em seu site pessoal.
A partir daí a história se desenrola de uma forma bem óbvia, com clichês sendo usados repetidamente. Me senti o tempo todo dentro de um filme da “Sessão da Tarde”, onde o óbvio estava à frente do mocinho e só ele não enxergava.
A narrativa é feita por meio de postagem e comentários do blog, e foi exatamente aí que Vinícius me perdeu. Os protagonistas têm 13 anos, mas o modo com o qual eles se expressam não parecem em nenhum momento verossímeis com a idade. As dúvidas, as observações, os problemas, sim. A forma de escrita, não.
Outro ponto que também me deixou descontente foi a rapidez do texto. Sim, a história é simples e podia muito bem ter sido desenvolvida nas 96 páginas, mas em dado momento, fiquei com a impressão de que Vinícius estava se atropelando para que a história terminasse logo, para dar um ponto final em tudo. A caracterização dos personagens também não foi boa, com uma delas inclusive perdendo completamente suas principais características no final da história.
Há uma surpresa no segundo terço da história que me deixou bem contente. É uma das características principais de Ariza que só é revelada quase no final do enredo.
Recomendo a leitura para adolescentes e pré-adolescentes. A história tem uma base simples, é repleta de clichês, mas não deixa de ser divertida.
22/03 – Cinderela Virtual
Por onde você anda? Estou preocupada.
Kisses
Página 19
Playlist
Luan e Vanessa – Quatro semanas de Amor
Sobre o autor
Alba Milena, casada, 35 anos, é mãe do menino mais lindo do mundo: o Lucas. Supereclética nas suas escolhas de leitura, nutre um ódio profundo e inexplicado por Danielle Steel. Também pode ser encontrada no @AlbaMilena.
Hoje vou falar de um livro que será lançado em abril. A Editora Suma de Letras me enviou a ARC (prova do livro) para contar pra vocês o que achei da leitura! Bora lá?
Série Oksa Pollok:
Oksa Pollock e o mundo invisível - abril de 2012 (Brasil)
La forêt des égarés - 2010 (A Floresta dos Perdidos - tradução livre)
Le coeur des deux mondes - 2011 (O coração dos dois mundos - tradução livre)
Oksa Pollock e o mundo invisível
Anne Plichota & Cendrine Wolf
Tradutor: Jorge Bastos Editora:
Suma de Letras Páginas: 428 ISBN: 9788560280889 Publicação: 3 de abril de 2012 Compre:
[Primeiro capítulo]
Sinopse:
O livro conta a história de Oksa Pollock, uma jovem de 13 anos que sempre sonhou em ser ninja e que de repente em uma noite acorda com uma marca estranha no próprio estômago e com poderes sobrenaturais. Por fim Oksa Pollock descobre ser a Inesperada, a única esperança dos exilados de Edefia de voltarem à terra de origem.
Alba Milena, casada, 35 anos, é mãe do menino mais lindo do mundo: o Lucas. Supereclética nas suas escolhas de leitura, nutre um ódio profundo e inexplicado por Danielle Steel. Também pode ser encontrada no @AlbaMilena.
Hoje vou falar de um livro infantojuvenil que mexeu bastante comigo. O mexicano Juan Villoro, criou uma fantasia urbana simples, cativante e extremamente tocante. Bora lá saber o que eu achei?
O livro selvagem
Juan Villoro
Tradutor: Antônio Xerxenesky Editora:
Companhia das Letras Páginas: 192 ISBN: 9788535919868 Publicação: 09/11/2011 Preço de Catálogo: R$29,50 Compre:
[Leia um trecho]
Sinopse:
Juan tem treze anos e já planejou as próximas férias: quer ficar em casa e passar os dias brincando e aproveitando o sol do verão. Mas sua família está passando por uma situação difícil. Os pais acabaram de se divorciar, e, tentando se adaptar à nova vida, sua mãe decide que precisa passar alguns dias sozinha.
Juan, então, tem de ir para a casa do tio Tito, um sujeito um tanto excêntrico, que ama os livros mais que tudo e tem estantes espalhadas por todos os cantos da casa. Tito detesta telefone e tudo que possa atrapalhar suas leituras, e como companhia aceita apenas os três gatos e a cozinheira.
No entanto, ele adora Juan, que considera um leitor especial. Tito acha que o menino descobre muito mais coisas naquilo que lê do que os outros. E tem um plano: vai pedir a ajuda do sobrinho para encontrar uma obra singular entre as milhares que tem em sua casa, chamada “O livro selvagem”, que nunca foi lida por ninguém e que guarda um segredo destinado àquele que a encontrar. Mas por que o livro resiste à leitura? E por que Juan é o único capaz de desvendar seus mistérios?
Nessa busca, entre livros, leituras e a convivência com o tio e com Catalina, a menina que trabalha na farmácia em frente da casa de seu tio, Juan vai descobrindo um pouco mais sobre si mesmo e sobre a relação da literatura com as experiências que vivemos cotidianamente.
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Sobre o autor
Alba Milena, casada, 35 anos, é mãe do menino mais lindo do mundo: o Lucas. Supereclética nas suas escolhas de leitura, nutre um ódio profundo e inexplicado por Danielle Steel. Também pode ser encontrada no @AlbaMilena.
Hoje vou falar de uma viagem que fiz nessa leitura. Ler "A invenção de Hugo Cabret" é, antes de tudo, uma atividade lúdica, cheia de surpresas! E o melhor, tem filme vindo por aí, com direção de Martin Scorsese.
Hugo Cabret é um menino órfão que vive escondido na central de trem de Paris dos anos 1930. Esgueirando-se por passagens secretas, Hugo toma conta dos gigantescos relógios do lugar: escuta seus compassos, observa os enormes ponteiros e responsabiliza-se pelo funcionamento da máquinas.
A sobrevivência de Hugo depende do anonimato:ele tenta se manter invisível porque guarda um incrível segredo, que é posto em risco quando o severo dono da loja de brinquedos da estação e sua afilhada cruzam o caminho do garoto.
Um desenho enigmático, um caderno valioso, uma chave roubada e uma homem mecânico estão no centro desta
intrincada e imprevisível história, que, narrada por texto e imagens, mistura elementos dos quadrinhos do cinema, oferecendo uma diferente e emocionante experiência de leitura.
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Sobre o autor
Alba Milena, casada, 35 anos, é mãe do menino mais lindo do mundo: o Lucas. Supereclética nas suas escolhas de leitura, nutre um ódio profundo e inexplicado por Danielle Steel. Também pode ser encontrada no @AlbaMilena.