Resenha Dupla: Quarto

Olá, pessoal!!!
Boa noite, genteeee!! \o/

Hoje vamos comentar sobre um livro voltado para o público adulto, com um assunto bem sério, mas que com a narrativa da Emma Donoghue, não ficou pesado. O Quarto (Room em inglês) foi eleito o melhor livro da ano pelo New York Times e pelo Independent, além de ter sido finalista do Man Booker Prize.

Alba – vermelho

Mari – lilás

QUARTO
Emma Donoghue

Editora: Verus
Lançamento: Maio 2011
Páginas: 349
ISBN: 9788576861317
Skoob | Landing Page | Primeiro Capítulo 
Compre: Livraria Cultura | Submarino | Saraiva

Sinopse:

Para Jack, um esperto menino de 5 anos, o quarto é o único mundo que conhece. É onde ele nasceu e cresceu, e onde vive com sua mãe, enquanto eles aprendem, leem, comem, dormem e brincam. À noite, sua mãe o fecha em segurança no guarda-roupa, onde ele deve estar dormindo quando o velho Nick vem visitá-la.
O quarto é a casa de Jack, mas, para sua mãe, é a prisão onde o velho Nick a mantém há sete anos. Com determinação, criatividade e um imenso amor maternal, a mãe criou ali uma vida para Jack. Mas ela sabe que isso não é suficiente, para nenhum dos dois. Então, ela elabora um ousado plano de fuga, que conta com a bravura de seu filho e com uma boa dose de sorte. O que ela não percebe, porém, é como está despreparada para fazer o plano funcionar.

Comentários:
Respira…. Por onde começar? Sempre que vou fazer comentários sobre um livro que gostei muito, tenho dificuldades para começar. Adorei a capa, simples mas muito bem pensada, acho que passa toda inocência do Jack. O livro é dividido em cinco partes: Presentes, Desmentidos, Morrer, Depois e Viver.


Mesma coisa aqui! Sério! Um livro tão denso e de leitura tão fácil! O enredo vai de um oposto ao outro num piscar de olhos e traz questionamentos, lágrimas, risos… A capa é realmente linda, e todas as divisões do livro têm como foco as emoções das vivências de Jack. 
Jack, é um garoto de cinco anos que vai nos contar sua história, tudo começa no dia que ele faz cinco anos. A narrativa é fantástica! A princípio tive um pouco de dificuldade para reconhecer as coisas, afinal, na cabeça de um garoto de cinco anos tudo é muito simples, mas depois que me acostumei com a linguagem, a leitura fluiu muito bem. É daqueles livros que te arrebatam e exigem sua atenção, até que você o finalize, não consegui ler em apenas um dia porque eu comecei a ler em uma quinta-feira, e o trabalho acabou me impedindo de lê-lo logo, mas a todo momento ficava pensando na situação do Jack e em como sua história parece real.

Uma das melhores narrativas que já encontrei! Jack tem 5 anos. Ponto. Em nenhum momento pensei se tratar de uma autora se fazendo passar por uma criança, os erros de conjugação verbal são naturais, em nenhum momento parecem forçados. A inocência da visão de Jack é comovente. Quanto a fluência do texto… Terminei de ler “Cyber Brasiliana” na sexta-feira à noite, que é uma narrativa rica, que me deixou elétrica, então resolvi dar uma espiada em “Quarto” para me acalmar e, quem sabe, poder dormir. Resultado: Fiquei lendo até às 3 da manhã. Acordei desesperada no sábado e terminei no mesmo dia!

Não ficamos sabendo o nome da “Mãe”, afinal, a única coisa que importa para Jack é que ela é a Mãe. Não se engane, achando que um garoto de cinco anos que ficou toda sua vida confinado não se desenvolveu bem. A Mãe lhe ensinou tudo o que ela sabia, o garoto sabe ler, escrever, fazer contas de matemática, ela ainda fazia com ele atividade física diariamente, leitura de livros (não tinha muita variedade, mas Alice no País das Maravilhas estava entre eles *_*) e o que mais gostei, foi que ela restringia o horário de televisão para duas vezes por dia, pois ela derrete seu cérebro (concordo plenamente).

Mãe é doce e marcante. Uma personagem forte e determinada. Se manter sã na situação em que se encontra, com um louco a mantendo cativa e abusando dela constantemente e mesmo assim, conseguir fazer a vida de Jack ser lúdica, divertida e saudável é admirável. A Mãe é desses personagens que a gente se identifica, sabe? Tem seus momentos de fraqueza, claro, quando fica “Fora”, que é como Jack chama quando ela está em dias depressivos, mas gentem! 7 anos de abuso CONTÍNUO! Mãe é isso: MÃE! No sentido mais puro da palavra.

O tema é bem pesado, jovem de dezenove anos que foi sequestrada por um senhor que a mantém em cativeiro e abusa sexualmente dela, mas como o livro todo é contado por Jack, todo esse contexto está diluído em suas palavras. O “Velho Nick” apareceu poucas vezes, como Jack sempre estava no Guarda-Roupa nessa hora, ele só o viu uma vez.

“Velho Nick” é nojento. Vazio. Sem coração. Quero gastar meu tempo escrevendo sobre ele, não… 

A inocência de Jack fez com que eu desse risada várias vezes e a todo momento eu queria ir escovar meus dentes por causa das dores que a Mãe sentia. Recomendo a leitura para quem gosta de sentir um turbilhão de emoções, querer chorar e em seguida estar sorrindo, ter a companhia de um garoto de cinco anos com seus questionamentos e aflições. Já tem uma fila de amigas para emprestar meu livro =)


Esse é um daqueles finais de resenha, em que leio o que a Mari escreveu, leio o que escrevi e fico me perguntando: Fizemos jus ao livro? Conseguimos exprimir com nossas palavras todos os sentimentos vividos em companhia de Jack e sua Mãe dentro do Quarto? A resposta, por mais dura que seja, é: NÃO.
“Quarto” é um livro que tem que ser lido e vivido. Claustrofóbico. Emocionante. Bem-humorado. Vil. Angustiante. Envolvente. Verdadeiro. Inocente. É tudo isso e mais um pouco. 
Quando lemos a sinopse de alguns livros – ou até mesmo uma resenha sobre ele- sentimos aquela vontade compulsiva, um frio na barriga, seguido por um arrepio na espinha que é traduzido em quatro palavras: “Preciso ler esse livro“. Essa emoção da descoberta de um bom enredo, é potencializada por UM MILHÃO no decorrer da leitura, então, o único conselho que consigo deixar aqui pra vocês é esse: Leiam!

O Lá Fora tem tudo. Agora, toda vez que eu penso numa coisa, como esquis ou fogos de artifício ou ilhas ou elevadores ou ioiôs, tenho que lembrar que eles são reais, acontecem todos juntos de verdade no Lá Fora. Isso deixa minha cabeça cansada… Mas eu não estou lá, eu e a Mãe, nós somos os únicos que não estão lá. Será que ainda somos reais?

Página 86

…Num chaveiro que diz “Casa de pizzas do pozzo”, eu queria saber como é que uma casa pode ser de pizza, ela não ia despencar?

Página 304
“_Mas os sonhos – esperei – Eles são da TV? – Ela continuou sem responder – A gente entra na televisão pra sonhar?

_Não. Nunca estamos em nenhum outro lugar senão aqui – ela disse, com uma voz que soou muito distante.

Página 61

Mari

Alba

Booktrailer: 

Playlist:

Vou me limitar a indicar apenas uma música: 
Elizabeth Mitchell – You are My Sunshine
A Mãe canta com o Jack essa música em uma passagem do livro. Quando ouvi a versão cantada pela Elizabeth Mitchell me vieram lágrimas aos olhos!
Depois dessa, acho que não preciso indicar outra música =) 

Se vocês se interessarem pelo livro e comentarem bastante, podemos sortear um exemplar, o que acham?

Sobre o autor

Leituras, resenhas, novidades e divagações sobre livros. Desde janeiro de 2010 entendendo sua loucura!

3 comentários

  1. Ulysses disse:

    O que gostei é que apesar do tema pesado, vocês disseram que ele é contado de forma leve. Alguns outros livros, tratam de temas pesados, em que os pais tentam da melhor maneira possível, evitar que seus filhos sofram com o ambiente. Quero ler logo.

    [Responder]

  2. [...] leitura. Fui pega da assalto, sem aviso… Já li vários livros do tema, entre eles “Quarto” e “Hoje eu sou Alice“, já resenhados aqui no site; Scars trata o abuso de uma [...]

  3. Maccky disse:

    Tenho muita vontade em ler este livro, parece ser lindo e emocionante e ele eh diferente do que estou acostumada a ler. A premissa chama a atenção e conhecer tudo pela visão de uma criança deve ser uma experiencia incrível. Pelo modo como falaram na resenha não tenho duvidas que o livro eh bom e que eu vou amar. ^^
    Espero poder ler em breve e dar minha opinião final.

    Beijos ;*

    [Responder]

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